Exposta nas vitrines de farmácias e receitada como prescrição médica para adultos e crianças até meados dos anos 1930, a cocaína estava presente nas ruas, nas farmácias, nos bares, nas pensões, na publicidade, nos jornais e na literatura. Seu consumo foi definitivamente proibido por lei no ano de 1938, reforçando o decreto-lei 4.294, publicado em 1921, que coibiu a comercialização de substâncias alucinógenas como cocaína. A polêmica em torno do tema não se restringiu à classe farmacêutica e ao governo – se expandiu aos jornais e repercutiu na literatura da época. ‘Cocaína – Literatura e outros companheiros de ilusão’ é um livro isento de apologias contra ou a favor da liberação e legalização das drogas. Sua proposta é gerar reflexão e fomentar discussão sobre o tema apresentado pelos textos. O resgate de textos literários representativos do glamour parisiense que tomava conta da capital nacional sugere que pouco a pouco a cocaína foi acusada de potencializar risco de saúde e problemas sociais. Se há setenta anos ela ocupava páginas de textos literários, hoje é presença fixa no noticiário policial.